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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Rio+20 e o descaso com a reciclagem





Por Luiza Gould de Souza
Ilustrações de Ildo Nascimento

De que adiantam campanhas ecológicas pela separação doméstica do lixo se não há estrutura para a coleta seletiva? Essa é a pergunta que está por trás dos baixos índices de reciclagem do estado do Rio. Enquanto o país se prepara para receber a Conferência das Nações Unidas para Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, a falta de estrutura para a reciclagem no estado sede do evento produz índices ecologicamente negativos. 

Da quantidade diária de 15 mil toneladas de lixo, apenas 8% são separados para a reciclagem e metade desse percentual ainda se perde ao longo do processo, de forma que somente 4% do lixo (600 toneladas) de fato são reaproveitados pelas indústrias recicladoras.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Região Oceânica

Foto: Jorge Luiz Silva
Rua do Loteamento Maravista alagada depois de chuva. Drenagem e pavimentação de três ruas por mês ficam apenas no papel.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Nos Prazeres, UPP em vez de remoção

Por Elson Sousa e Silva Jr. e Sandra Amancio

No lugar da destruição causada pelo deslizamento de terra, um muro e uma faixa que diz “A geografia foi modificada, porém nada poderá mudar a história”. Esse é o cenário que os moradores do Morro dos Prazeres, em Santa Tereza, veem no local onde morreram 34 pessoas nas chuvas de abril do ano passado.

Até hoje, a comunidade sofre com um sistema de saneamento básico precário e o fechamento da única creche do local. Mas conseguiu permanecer no local: em vez da remoção anunciada pela prefeitura logo após a tragédia, com base num susposto laudo da Geo-Rio, que condenaria a área, o morro recebeu uma Unidade de Polícia Pacificadora em fevereiro deste ano.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

População de Teresópolis se mobiliza pelos problemas que perduram desde a tragédia de janeiro

Por André Coelho e Mário Cajé

Cinco meses após as chuvas que devastaram a região serrana, moradores de Teresópolis continuam com os protestos por ações efetivas do governo para a reconstrução do município. As chuvas do dia 12 de janeiro deixaram mais de 380 mortos só em Teresópolis, onde se formou a Comissão de Defesa Popular.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Em Ititioca, persistem os vestígios da destruição

Por Gustavo Lethier e Paula Pontes

Ititioca: as marcas da destruição um ano depois da tragédia
Um ano depois das chuvas que arrasaram várias comunidades de Niterói, as marcas da destruição ainda estão pelo caminho. Em Ititioca, vizinha ao Morro do Céu, alguns serviços, como a coleta de lixo e o programa Médico de Família já funcionam normalmente. Entretanto, são visíveis os sinais da catástrofe, como móveis inutilizados pela enxurrada, à espera de remoção. E alguns problemas se agravaram, como o abastecimento de água que corre ao lado do esgoto a céu aberto, e que afeta o próprio centro clínico, obra da prefeitura de Niterói.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Campo Novo ontem e hoje: o dilema do Rio Matapaca

Por Ronaldo Rodrigues

Campo Novo é uma localidade de Maria Paula, bairro localizado parte em Niterói e parte em São Gonçalo. Nesta região as águas do rio Matapaca subiram e invadiram casas a mais de 60 metros de distância de onde correriam normalmente. Mesmo em pontos afastados do leito, a água atingiu mais de 1,80m de altura. Casas ficaram submersas, algumas foram destruídas, mais de 100 pessoas ficaram desabrigadas, moradores perderam tudo que possuíam e alguns tiveram de ser resgatados de barco dos telhados de suas casas. Apesar da atualidade do tema, este incidente não tem nada de novo.

domingo, 15 de maio de 2011

Capa de jornal vira protesto contra prefeitura

Por Bárbara Teixeira e Paula Pontes

O jornal já era velho, mas o protesto continuava atual. Por isso o Comitê dos Desabrigados de Niterói resolveu, em sua reunião do dia 2 de maio, espalhar pela cidade cartazes com a reprodução da capa do jornal Extra de 7 de abril, que estampava a foto do prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira, debaixo do apelo de “Procura-se”, no melhor estilo faroeste.

sábado, 23 de abril de 2011

Comércio de Teresópolis tenta se recuperar após tragédia de 12 de janeiro

Quase seis meses após o maior desastre ambiental do país, empresários lutam para retomar o ritmo de trabalho

Por André Coelho e Júlia Garcia

Restarante Linguiça do Padre, na zona rural de Teresópolis:
parado há 2 meses, ainda funciona abaixo da capacidade
Oswaldo Tatagiba tem 81 anos e é proprietário do tradicional restaurante Linguiça do Padre, no bairro de Bonssucesso, zona rural do município de Teresópolis. O local é conhecido pela receita própria de linguiça artesanal, além de pratos típicos da culinária alemã e da culinária mineira. Após a tragédia que destruiu parte da cidade na madrugada de 12 de janeiro, o restaurante ficou dois meses parado. “Ficamos ilhados, sem telefone, sem nada. Só tínhamos luz graças a um gerador”, lembra ele. A situação só começou a se normalizar a partir de maio e a casa consegue , com muito esforço, funcionar com 80% da capacidade.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Ato público relembra a tragédia causada pela chuva em Niterói há um ano

Por Túlio Clemente (texto e fotografia)


Um ato público realizado no dia 6 de abril, no Centro de Niterói, marcou o primeiro ano da tragédia causada pelas chuvas na cidade. Cerca de 300 moradores das comunidades atingidas, além de estudantes e representantes de sindicatos participaram da manifestação em protesto ao descaso com as vítimas dos deslizamentos e em memória aos 169 mortos na tragédia.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Teresópolis recebe reforços para agilizar operações de resgate

Por André Coelho

O Exército e policiais civis de delegacias da capital reforçaram as operações de resgate e o controle do trânsito nos acessos às áreas de risco como Fischer, Poço dos Peixes e Três Córregos, em Teresópolis. A Força Nacional de Segurança e a Polícia Militar passaram a patrulhar pontos estratégicos da zona urbana do município. Desde o início da crise causada pelas chuvas, o número de pessoas nas ruas do centro cai diariamente.

 Cinco dias após a tragédia que devastou Teresópolis, a população obedece aos apelos da Defesa Civil e da prefeitura para permanecerem em casa. O trânsito, que estava completamente congestionado na quarta e quinta-feira, está fluindo regularmente, mesmo com as interdições espalhadas pela cidade. O número de carros nas ruas diminuiu, assim como o de pedestres. A maior parte do movimento é de voluntários para os centros de recolhimento de donativos e de apoio aos desabrigados, além de moradores que precisam comprar mantimentos.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Número de mortos em Teresópolis é imprevisível

Por André Coelho

Caminhões frigoríficos aguardam corpos do IML
Os legistas trabalham praticamente sem descanso. No fim da tarde de sexta, já haviam realizado a necrópsia de todas as vítimas, mas o  quadro se altera rapidamente com a chegada de mais corpos. A movimentação de parentes continua intensa, mas diminuiu em relação aos primeiros dois dias. Os corpos vêm sendo liberados rapidamente para os enterros. Os processos de identificação de cadáveres não reclamados é o que atrasa muitas liberações.

Postos de doações


UFF recolhe contribuições e organiza doação de sangue para vítimas das chuvas

A Universidade Federal Fluminense está de plantão neste fim de semana, das 9h às 17h, para recolhimento de donativos - principalmente água, mas também alimentos não perecíveis e produtos de limpeza e higiene pessoal - para as vítimas das chuvas na região serrana do Rio. As contribuições devem ser entregues no saguão da reitoria, na rua Miguel de Frias, nº 9, em Icaraí. A campanha de arrecadação continua normalmente na segunda-feira, das 9h às 18h.

Quem quiser doar sangue pode se dirigir ao hemocentro do Hospital Universitário Antonio Pedro, na rua Marquês do Paraná, nº 303, Centro de Niterói, de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h. É necessário levar documento de identidade com foto, estar bem de saúde, ter entre 18 e 65 anos e pesar mais de 50 quilos, não estar em jejum - mas evitar alimentos gordurosos -, não ter ingerido bebida alcoólica nas últimas 12 horas e, no caso das mulheres, não estar grávida ou amamentando. Mais informações pelo telefone 2629-9063.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Vidigal: interesse político pela favela varia de acordo com a estação

Por Evandro Pereira

Passaram-se cinco meses desde que deslizamentos de terra provocados por um temporal causaram mortes e muitos transtornos a moradores do Vidigal. À época, assim como agora, os proprietários de habitações na comunidade – ameaçadas ou não – questionavam, diante de tamanha tragédia, o projeto de regularização fundiária co-elaborado pelos Ministérios da Justiça e das Cidades, seus propalados benefícios e suas reais conquistas. Agora, assim como à época, nada de prático é feito pelo poder público, ainda que a favela adquira certa relevância política durante o período pré-eleitoral. De concreto, somente os escombros de uma casa – onde mãe e filho faleceram – cobertos por lama e promessas.

sábado, 21 de agosto de 2010

Moradores do Morro do Fogueteiro lutam para permanecer em suas casas

Rafaella Barros (texto) e Elson Souza e Silva Jr. (texto e fotos)
Vista do morro do Fogueteiro, em Santa Teresa

















“Está tudo condenado”. Mário Medeiros, vice-presidente da Coligação das Favelas de Santa Teresa, disse que foi esta a sentença dos técnicos da Fundação Geo-Rio e da Defesa Civil em vistorias no Morro do Fogueteiro após o temporal do início de abril.

Moradores do Morro do Urubu ainda sofrem com as consequências das chuvas de abril

Texto e fotos: Rafaella Barros

O Morro do Urubu, ainda com o entulho das casas
demolidas após o temporal 
No Morro do Urubu, em Pilares, os deslizamentos que ocorreram em abril deste ano trouxeram mudanças para alguns moradores, mas também a sensação de abandono do governo para outros, apesar de todas as promessas feitas na época dos desastres.

O líder comunitário Anderson Ribeiro e a representante da Associação de Mulheres e Amigos do Morro do Urubu (Amamu), Sônia Regina, relataram o que aconteceu naqueles dias de chuvas torrenciais e o cenário posterior a eles.

domingo, 15 de agosto de 2010

Na Várzea das Moças, vida nova com o peso das lembranças

Laís Carpenter

Conseguir um novo local para morar depois que se perde tudo parece que basta, como se todos os problemas se resolvessem de uma hora para outra. Mas não é bem assim. A mudança brusca da rotina, a perda repentina das referências habituais nas pequenas coisas do cotidiano, os danos psicológicos provocados pela lembrança da tragédia se refletem no olhar vago e na falta de ânimo de quem sobreviveu e ainda ganhou casa com móveis e eletrodomésticos básicos.

No colégio Guilherme Briggs, a homenagem aos alunos mortos

Samantha Chuva

O Colégio Estadual Guilherme Briggs, no bairro de Santa Rosa, em Niterói, foi um dos muitos que acolheram quem perdeu suas casas durante as chuvas de abril. Porém, mesmo depois que os desabrigados foram transferidos para os 3º e 4º Batalhões de Infantaria, não pôde voltar à rotina como antes: cinco alunos morreram na tragédia. Em homenagem a eles, a diretora, Alcinéia Sousa, reuniu os estudantes e juntos fizeram um minuto de silêncio e desenhos. “Nessa hora eu percebi que a vida é muito bonita e que não podemos perder tempo com coisas pequenas, com brigas tolas e egoísmo. Temos que olhar uns pelos outros. Viver intensamente e agradecer por esta oportunidade”, disse.

O colégio recebeu 42 famílias, aproximadamente 150 pessoas, entre as quais idosos, grávidas, crianças e os próprios alunos, além de ter servido também como pólo de arrecadação e distribuição de doações após a tempestade. “A primeira semana de chuvas foi a mais difícil”, recorda a diretora. “Eu estava ilhada em casa e me ligaram falando que a escola tinha que ser aberta para abrigar as pessoas.”

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Equilibrado entre caixotes, Waldir salvou o que pôde

Mariana Vita

Técnico em eletrônica no Tribunal de Justiça do Estado, Waldir Costa estava na casa de sua noiva em Icaraí quando a chuva começou. Até aí não parecia ser nada sério, mesmo assim ele achou mais seguro voltar para casa, um sobrado em cima do bar de seu pai, em São Gonçalo. Escolheu o momento em que a chuva diminuiu e um ônibus que o levasse por um caminho com menos alagamentos, já estava acostumado com as enchentes.

Quando chegou em casa, encontrou a calçada alagada, como de costume nos dias chuvosos em sua rua. Na manhã seguinte já não pôde ir ao trabalho: o bar estava com água até a altura dos joelhos. “Era impossível fazer qualquer coisa para tentar impedir que a água entrasse”. Na rua, árvores caíram e seus troncos eram levados pela corrente. O portão da casa dos vizinhos foi derrubado, alguns muros foram ao chão, inclusive o do condomínio onde morava sua irmã.

Nos Prazeres, Cuíca resiste. Com serenidade e firmeza

Felipe Pontes Teixeira

A água escorre livremente de uma mangueira durante toda a manhã do domingo de céu azul e se infiltra na grande língua de terra que corta o emaranhado de concreto ao meio. Apesar de asfaltado, o chão permanece impregnado pela cor da lama. Um homem lava sem pressa, com a ajuda do filho, duas Kombis estacionadas logo abaixo de um muro de contenção. Enquanto isso, funcionários da Oi restabelecem uma linha telefônica, dependurados num poste. A menos de 10 metros de distância, faz exatamente 47 dias, um deslizamento de terra matou 31 moradores no Morro dos Prazeres, favela de Santa Teresa.