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terça-feira, 26 de março de 2013

Por Julianna Prado 

Já era tarde da noite, por volta das 22h. Chovia e ventava bastante naquela quarta-feira, dia 7 de abril de 2010. A diarista Leandra Maria de Oliveira, 40, já estava em casa com o marido, paraplégico, quando se preparava para dormir. Quando a chuva começou a ficar mais intensa, Leandra recebeu a ligação de uma sobrinha que avisara que o morro estava caindo. Foi aí que a sua vida se tornou um pesadelo.

Leandra morava com o marido e mais cinco filhos na época em que houve o deslizamento do Morro do Bumba, em Niterói, tragédia que matou 169 pessoas na cidade e deixou mais de 13 mil desabrigados. Natural de Volta Redonda, a diarista morava havia 16 anos no morro e nunca tinha presenciado algo tão tenebroso como naquela noite.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Uma lição de sete vidas


Por Jéssica Alves

Paulo Roberto Affonso, um jovem de apenas 23 anos, perdeu a casa, a família e parte do seu trabalho no deslizamento do morro do Bumba, ocorrido em abril de 2010 em Niterói. Mas quem vê o sorriso no rosto e a simpatia na hora de atender os clientes da Pizzaria Piccolo, aos finais de semana em uma barraquinha no Campo de São Bento e os pedidos da pizzaria delivery, não imagina o sofrimento que o jovem já passou.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Psicóloga se mobiliza para amparar sobreviventes

Luiza Leite Ferreira

A rotina da psicóloga e especialista em educação especial Regina Gloria Silva Jorge Mussi, 55 anos, recentemente licenciada para se aposentar da Rede Estadual de Educação, era tranquila. Mãe de três filhos, já adultos, dois ainda na universidade, e recentemente separada, moradora no bairro de Icaraí, em Niterói, com uma filha, caminhava no calçadão da praia, cuidava dos pais idosos, zelava pelo bem-estar dos filhos e, como toda avó coruja, paparicava a netinha de poucos meses de idade.

Mas, desde a catástrofe no Morro do Bumba, a vida de Regina mudou. Já acostumada com a ideia de relaxar e aproveitar a aposentadoria, viu-se retornando para sua atividade de origem, a psicologia, após longo tempo atuando como professora.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Morro do Bumba, dois meses depois

Texto e Fotos: Laís Carpenter e Priscila Motta

Tapumes e escavadeiras na entrada
do que restou do Bumba
Dos instantes de correria, pânico e desespero do dia 7 de abril restaram apenas duas escavadeiras, tapumes cercando o local, o chorume escorrendo pela terra ainda umedecida, lixo, destroços de casas e escombros do que sobrou do Morro do Bumba.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Solidariedade. Um dever de todos?

Por Ana Leticia Ribeiro, Isabela Calil, Júlia Sales, Nathan Kunigami e Tamíris Almeida


As águas de março que fecham o verão não são novidade, além de ficarem consagradas na voz de Tom Jobim, já causaram muitos deslizamentos de terra em todo estado do Rio de Janeiro. A falta de infra-estrutura dos centros urbanos para solucionar os danos causados pelas chuvas também não é recente. Exemplos de enchentes, alagamentos e desabrigados ocupam o noticiário desde o início do século XX, num período em que um dos grandes escritores brasileiros, Lima Barreto já apontava para a gravidade da situação no texto “As enchentes”, de 1915. Anos depois ocorreria a segunda maior inundação do Rio de Janeiro, em 1966, com 100 mortos e 20 mil desabrigados ao final de cinco dias de chuvas intensas.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Morro do Bumba, 35 anos

Por Luiz Edmundo de Castro


As fotos do lixão do morro do Bumba foram registradas nos anos de 1974 e 1975 como parte de uma reportagem (cerca de 300 fotos aproximadamente), para um audiovisual (projeção de fotos e trilha sonora sincronizadas) apresentado como trabalho final do Curso de Cinema da UFF, realizado por mim, fotografias, Carlos Aquino e Joubert de Assis, reportagens e os três editando e coordenando o trabalho final.

domingo, 30 de maio de 2010

Antes da Chuva

Por Denise Tavares

Moradora nova procura lugar, em fevereiro de 2010, para se estabelecer com a família. Não conhece a cidade. Hum...adorou a ideia de morar na praia. Achou os preços um tanto, bom, não vem ao caso. Curiosa, ouve conversa dali e daqui. Traumatizada com as enchentes que enfrentou nas marginais em São Paulo – sim, ela vem de sampa – sonha com lugar sequinho, desses que a gente circula mesmo debaixo de um toró. Zum zum de cá, zum zum de lá: “Ah, a Roberto Silveira vira um mar... Nossa, a Presidente Backer, quando chove, ninguém passa...Aqui na Gavião, é só chover um pouco que é rodo na mão e reza na cabeça para não inundar a loja e a gente perder o serviço”, recolhem seus ouvidos, entre um sorriso e outro da gente simpática da cidade que sempre encerrava conversa com um “Seja bem-vinda. Você vai adorar aqui”.

sexta-feira, 21 de maio de 2010


Por Carolina Andrade

Eu estava em casa, no computador, mas com a TV ligada. Não teríamos aula naquela semana porque o Iacs havia suspendido as atividades, por causa do desmoronamento no do barranco nos fundos do campus, que atingiu o prédio principal. Eram pouco mais de sete da noite. Estava passando RJTV 2ª Edição, era sobre o desabamento no Morro do Bumba, mas eu não estava assistindo. De repente ouvi um nome que me chamou a atenção: Kenneth. Deslizei minha cadeira para frente da televisão.