Por Ana Leticia Ribeiro, Isabela Calil, Júlia Sales, Nathan Kunigami e Tamíris Almeida
As águas de março que fecham o verão não são novidade, além de ficarem consagradas na voz de Tom Jobim, já causaram muitos deslizamentos de terra em todo estado do Rio de Janeiro. A falta de infra-estrutura dos centros urbanos para solucionar os danos causados pelas chuvas também não é recente. Exemplos de enchentes, alagamentos e desabrigados ocupam o noticiário desde o início do século XX, num período em que um dos grandes escritores brasileiros, Lima Barreto já apontava para a gravidade da situação no texto “As enchentes”, de 1915. Anos depois ocorreria a segunda maior inundação do Rio de Janeiro, em 1966, com 100 mortos e 20 mil desabrigados ao final de cinco dias de chuvas intensas.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Morro do Bumba, 35 anos
Por Luiz Edmundo de Castro
As fotos do lixão do morro do Bumba foram registradas nos anos de 1974 e 1975 como parte de uma reportagem (cerca de 300 fotos aproximadamente), para um audiovisual (projeção de fotos e trilha sonora sincronizadas) apresentado como trabalho final do Curso de Cinema da UFF, realizado por mim, fotografias, Carlos Aquino e Joubert de Assis, reportagens e os três editando e coordenando o trabalho final.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Pesquisadores da UFF apontam responsabilidade política na tragédia em Niterói
A negligência do poder público diante de estudos que mapearam as áreas de risco em Niterói e que poderiam ajudar a prevenir tragédias como a que ocorreu no início de abril é o ponto central das entrevistas com os professores Júlio Wasserman, do Instituto de Geociências, e Elson do Nascimento, da Escola de Engenharia. Wasserman explica também as diferenças entre lixões e aterros sanitários e fala sobre alternativas para o tratamento do lixo urbano. Elson cita os casos em que a desocupação é inadiável, ao mesmo tempo em que condena a política indiscriminada de remoção. E assina, com a professora Regina Bienenstein, do Nephu (Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos da UFF), documento em que reafirma o estudo entregue à prefeitura de Niterói em 2007, alertando sobre os locais de risco iminente.
domingo, 30 de maio de 2010
Antes da Chuva
Por Denise Tavares
Moradora nova procura lugar, em fevereiro de 2010, para se estabelecer com a família. Não conhece a cidade. Hum...adorou a ideia de morar na praia. Achou os preços um tanto, bom, não vem ao caso. Curiosa, ouve conversa dali e daqui. Traumatizada com as enchentes que enfrentou nas marginais em São Paulo – sim, ela vem de sampa – sonha com lugar sequinho, desses que a gente circula mesmo debaixo de um toró. Zum zum de cá, zum zum de lá: “Ah, a Roberto Silveira vira um mar... Nossa, a Presidente Backer, quando chove, ninguém passa...Aqui na Gavião, é só chover um pouco que é rodo na mão e reza na cabeça para não inundar a loja e a gente perder o serviço”, recolhem seus ouvidos, entre um sorriso e outro da gente simpática da cidade que sempre encerrava conversa com um “Seja bem-vinda. Você vai adorar aqui”.
Moradora nova procura lugar, em fevereiro de 2010, para se estabelecer com a família. Não conhece a cidade. Hum...adorou a ideia de morar na praia. Achou os preços um tanto, bom, não vem ao caso. Curiosa, ouve conversa dali e daqui. Traumatizada com as enchentes que enfrentou nas marginais em São Paulo – sim, ela vem de sampa – sonha com lugar sequinho, desses que a gente circula mesmo debaixo de um toró. Zum zum de cá, zum zum de lá: “Ah, a Roberto Silveira vira um mar... Nossa, a Presidente Backer, quando chove, ninguém passa...Aqui na Gavião, é só chover um pouco que é rodo na mão e reza na cabeça para não inundar a loja e a gente perder o serviço”, recolhem seus ouvidos, entre um sorriso e outro da gente simpática da cidade que sempre encerrava conversa com um “Seja bem-vinda. Você vai adorar aqui”.
Quando o mundo desaba
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| Detalhes da destruição no deslizamento do Morro da Cachoeira |
Em alguns abrigos há uma tendência ao retraimento: as pessoas evitam falar, não querem ser fotografadas, não querem se expor. Em outros a situação é inversa: há uma ansiedade em denunciar as condições em que estão vivendo, um apelo à presença de jornalistas, inclusive como forma de evitar a violência da repressão em manifestações.
Prefeitura do Rio é acusada de descumprir a lei no caso das remoções
Por Rafaella Barros
A prefeitura do Rio de Janeiro vem agindo com base em decretos que contrariam a Lei Orgânica do município para retirar moradores das áreas afetadas pelas chuvas. Quem acusa é o professor e ex-procurador Miguel Baldez, conhecido por sua dedicação de pelo menos 30 anos à questão da terra e dos loteamentos irregulares no estado. Para exemplificar, citou o decreto nº 32.081, baixado por Eduardo Paes em 7 de abril, no dia seguinte à tragédia, e que autoriza a remoção forçada em caso de risco.
A prefeitura do Rio de Janeiro vem agindo com base em decretos que contrariam a Lei Orgânica do município para retirar moradores das áreas afetadas pelas chuvas. Quem acusa é o professor e ex-procurador Miguel Baldez, conhecido por sua dedicação de pelo menos 30 anos à questão da terra e dos loteamentos irregulares no estado. Para exemplificar, citou o decreto nº 32.081, baixado por Eduardo Paes em 7 de abril, no dia seguinte à tragédia, e que autoriza a remoção forçada em caso de risco.
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